segunda-feira, dezembro 17, 2007

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Ontem, minha amiga secreta, Stela, me presenteou com As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, compiladas por Joaquim Ferreira dos Santos, e, logo de cara, antes de dormir, já me deparo com este texto do Caio Fernando Abreu, sempre eterno, sempre olhando para a beleza das coisas simples. Reproduzo o texto abaixo, que por sinal vem bem a calhar com essa época infâme que é o final de ano.

Zero Grau de Libra

por Caio Fernando Abreu

O Sol entrou ontem em Libra. E porque tudo é ritual, porque fé, quando não se tem, se inventa, porque Libra é a regência máxima de Vênus, o afeto, porque Libra é o outro (quando se olha e se vê o outro, e de alguma forma tenta-se entrar em alguma espécie de harmonia com ele), e principalmente porque Deus, se é que existe, anda distraído demais, resolvi chamar a atenção dele para algumas coisas. Não que isso possa acordá-lo de seu imenso sono divino, enfastiado de humanos, mas para exercitar o ritual e a fé - e para pedir, mesmo em vão, porque pedir não é só bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal.

Neste zero grau de Libra, queria pedir isso a que chamamos Deus um olho bom sobre o planeta Terra, e especialmente sobre a cidade de São Paulo. Um olho quente sobre o mendigo gelado que acabei de ver sob a marquise do cine Majestic; um olho generoso para a noiva radiosa mais acima. Eu queria hoje o olho bom de Deus derramado sobre as loiras oxigenadas, falsíssimas, o olho cúmplice de Deus sobre as jóias douradas, as cores vibrantes. O olho piedoso de Deus para esses casais que, aos fins de semana, comem pizza com fanta e guaranás pelos restaurantes, e mal se olham quando dizem coisas como "você acha que eu devia ter dado o telefone da Catarina à Eliete?" - e o outro grunhe em resposta.

Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Derrama teu olho amável sobre as criancinhas demônias criadas em edifícios, brincando aos berros em playgrounds de cimento. Ilumina o cotidiano dos funcionários públicos ou daqueles que, como os funcionários públicos, cruzam-se em corredores sem ao menos se verem - nesses lugares onde um outro ser humano vai-se tornando aos poucos tão humano quanto uma mesa.

Passeia teu olhar fatigado pela cidade suja, Deus, e pousa devagar tua mão na cabeça daquele que, de noite, liga para o CVV. Olha bem pelo rapaz que, absolutamente só, dez vezes repete Moon Over Bourbon Street, na voz de Sting, e chora. Coloca um spot bem brilhante no caminho das garotas performáticas que para pagar o aluguel dão duro como garçonete pelos bares. Olha também pela multidão sob a marquise do Mappin, enquanto cai a chuva de granizo, pelo motorista de táxi que confessa não ter mais esperança alguma. Cuida do pintor que queria pintar, mas gasta seu talento pelas redações, pelas agências publicitárias, e joga tua luz no caminho dos escritores que precisam vender barato seu texto - olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer que não a são, e viver outra vida que não a que vivem.

Não esquece do rapaz viajando de ônibus com seus teclados para fazer show na Capital, deita teu perdão sobre os grupos de terapia e suas elaborações de vida, sobre as moças desempregadas em seus pequenos apartamentos na Bela Vista, sobre os homossexuais tontos de amor não dado, sobre as prostitutas seminuas, sobre os travestis na República do Líbano, sobre os porteiros dos prédios comendo sua comida fria nas ruas dos Jardins. Sobre o descaramento, a sede e a humildade, sobre todos que de alguma forma não deram certo (porque, nesse esquema, é sujo dar-certo), sobre todos os que continuam tentando por razão nenhuma - sobre esses que sobrevivem a cada dia ao naufrágio de uma por uma das ilusões.

Sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio - não. Derrama sobre elas o seu olhar mais impiedoso, Deus, e afia tua espada. Que no zero grau de Libra, a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas, para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo o dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse do zero grau de Libra. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.

segunda-feira, outubro 01, 2007

sábado, setembro 29, 2007

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this time around
this time around
this time around
you can be anyone
you can be anyone

Helen Stellar - I/O (This time around)

sexta-feira, setembro 28, 2007

Freak Folk no SESC

Joanna Newson, da patota de Devendra Banhart, Anthony e CocoRosie, faz show nesta quarta (03.10) no SESC Santana, parte de um projeto de vozes femininas. Por essa ninguém esperava, claro. E infelizmente não poderei ir dessa vez. Quem puder, vá.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Entre Pinheiros e Vila Mariana


Acontecem nas próximas duas semanas estes dois shows imperdíveis. Ingressos comprados.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Mais suecos invadindo São Paulo

Se no primeiro semestre a gente pode se deliciar com as passagens de Jens Lekman, José Gonzales, El Perro del Mar, Heels on Wheels e Erlend Oye (Noruega), vem aí mais da Invasão Sueca, que acontece em setembro em São Paulo. Agora é a vez de Love is All, Suburban Kids with Biblical Names e Hello Safaride. Sou extremamente suspeito, mas considero as três opções imperdíveis, ainda mais considerando que um dos shows será no SESC e o preço, uma pechinca.

HELLO SAFERIDE
18/09 - SESC VILA MARIANA

LOVE IS ALL
20/09 - STUDIO SP

SBWBN
21/09 - STUDIO SP

segunda-feira, agosto 13, 2007

To a friend, with love

Shakespare once said, “the journey ends when lovers meet”. I believe it is true. Sometimes you think your journey is about to end when you meet that person who misteriously you know that is the person. All you wait for is just one word: “yes”. Yes, I am your person. Yes, I look into your eyes and feel comfortable. Yes, I want to share my problems and my happiness with you. And sometimes you never get the word. You wait. And wait a little longer. You get tired of waiting. And then comes the hardest time, the moment when you have to say “no” to yourself and move on. But deep in your heart you’re still waiting for that “yes” to finally end the journey.

My family tree

Care about the moonlight
and holding you tight
and asking my questions.
Everyone loves a situation.

Long walks on the beach.
The press will impeach.
Lately I'm finding
I am the book and you are the binding.

I guess they'll read everything about you.
Though the press might shoot me down I'm still true.
I sell my book for free. That's what you do to me.

Oh, you are my family tree.
Be good to me
Take care of me.

Song: Family Tree
Artist: Ben Kweller

* * *

Quem sou eu. Não sei. Estou longe de saber. Estou longe de entender minhas raízes, de conhece-las, experimentá-las de verdade. Não sei quem são meus pais, conheço pouco da história deles. Não sei quem foram meus avós, de onde vieram, para onde foram, quais foram os sonhos que os motivaram para que eu esteja onde estou hoje. Sei pouco de suas crenças, para poder entender todas as coisas que penso e porque penso do jeito que penso. Se me colocar diante de um espelho hoje, vários pedaços faltarão no meu reflexo. Como meus pais se encontraram? Como foi o primeiro encontro? Quais as expectativas de suas vidas quando jovens? Quantas lágrimas não devem ter sido caladas das quais não tenho a menor noção? Ontem, enquanto meu pai falava como ele era sortudo por ter a família toda reunida e enquanto eu passeava o garfo no meu prato, pensava em tudo isso. Em como, ao não saber nada sobre eles, não sei nada sobre mim. E dando mais valor a tudo que está por vir, aos lugares que anseio tanto em estar e ao futuro que quero desesperadamente conhecer, vou deixando meu passado sempre em branco. Nenhum registro, nenhuma história, nenhuma raíz. Qual vai ser o seu ponto de partida quando você tiver que contar a sua história?

quinta-feira, agosto 09, 2007

Lets be serious

“The best brains in the world are busy solving problems that don’t really need to be solved. They’re struggling to design a better watch or struggling to design some fancy product. Why don’t they work on designing better slums? Billions of people live in absolutely miserable conditions, and that needs to be fixed.”

Sam Pitroda, C-Sam Inc.

Mmmbop

quarta-feira, agosto 08, 2007

Trendy

Queria muito contar aqui o que estamos batalhando para por no evento que estamos produzindo, mas não posso. Só posso garantir que é a coisa mais legal do mundo.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Oz

A vida não nos dá chances ilimitadas para sermos felizes. Às vezes deixamos passar nossa chance. Muitas vezes não damos o devido valor, ou nem a percebemos. Ela pode estar ali do seu lado, e a decisão de aproveitá-la é sua. Tomar essa decisão pode mudar toda sua vida. E às vezes, tudo que precisamos é exatamente começar uma vida nova.

Nossa turma começou uma brincadeira dizendo que nossas vidas são tão cheias de reviravoltas que as histórias juntas dão um verdadeiro seriado – e posso falar que a temporada foi realmente movimentada.

Tanta coisa aconteceu esse ano que parece que já é 31 de dezembro. Tanta coisa que poderia ter mudado definitivamente minha vida. E é bom olhar para todas elas e enxergar o valor de cada uma. Algumas simplesmente me fazem olhar sem remorsos por tê-las deixado para trás, outras fazem da lembrança uma doce tristeza, como diria a Mikie.

É o final desta temporada. É o momento de fechar a conta. Deixar que assuntos inacabados sejam cobertos pela poeira; ser livre e libertar as pessoas que estão com você; entender finalmente que “timing” é um conceito muito vago para quem realmente deseja – creio muito mais na pausa do que no desencontro, e que platonismos perdem sua força com a idade.

Foi nesta temporada que conheci pessoas maravilhosas, desenvolvi amizades inimagináveis, com um grau de transparência e autenticidade invejáveis. Nesta temporada eu assisti gente indo e vindo, festas e causos que ninguém acreditaria, e conheci alguém que abalou as estruturas do homem de lata.

Mas uma nova temporada está começando, logo estarão chegando os novos personagens. Por enquanto, estou acertando todas as contas do final desta temporada, com quem devo e comigo mesmo. Alguém que deixei livre, uma proposta profissional tentadora que provavelmente declinarei por conta de outros objetivos, o casamento do meu sócio e melhor amigo, a chance de viver algo bacana, um nó no peito por alguém que está a léguas de distância e que estou acabando de desatar. E a chance de tomar decisões que vão mudar minha vida. Decisões. Mudanças.

Garçom, o troco é seu. Que venha a segunda temporada!

domingo, julho 29, 2007

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a sorte é que estou cansado para comentar...

Trilha sonora do Pan

alguém me diz quem é o dj do pan?
estou aqui assistindo a ginástica rítmica e enquanto os juízes deliberam, já passou Ivete Sangalo, Jorge Ben Jor e agora está rolando a pérola que é Balão Mágico. E todos os juízes de braços cruzados, com cara séria, não entendendo nada.

sexta-feira, julho 27, 2007

What else is there?

It was me on that road
But you couldn't see me
Too many lights out, but nowhere near here

It was me on that road
Still you couldn't see me
And then flashlights and explosions

Roads are getting nearer
We cover distance but not together
I am the storm and I am the wonder
And the flashlights, nigthmares
And sudden explosions

I don't know what more to ask for
I was given just one wish

It's about you and the sun
A morning run
The story of my maker
What I have and what I ache for

What else is there?

E o que Deus tem a ver com isso?

Depois de ouvir o queridíssimo presidente declarar que 'quando viaja, entrega a Deus', só resta assumir que o país está a Deus dará. O negócio é realmente entregar a Deus.

Madame Min na Noruega

Ontem ela foi embora. Nem consegui me despedir. Daqui a uns dias será uma nova cidadã de Oslo.
Não conseguir ir à sua festa de despedida nem marcar um último almoço. Mas assim também é bom, fica aquela sensação de que a gente vai se falar e se ver semana que vem. Quero logo ir sentar num fiorde e bater papo contigo, guria.
Mas enquanto isso, aproveita o verão e se agasalha muito muito no frio, tá bom? Ah, e vá em muitos shows do Royksöpp, fica bem amiga deles por mim.